Superação da pobreza extrema só com desenvolvimento econômico

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A definição de estratégias para superação da pobreza extrema só será alcançada por meio do desenvolvimento econômico seja em Araçuaí, na região do Vale do Jequitinhonha, como em todo o Estado de Minas, afirmou o deputado André Quintão, coordenador do Seminário Legislativo Pobreza e Desigualdade, na abertura do evento nesta sexta-feira (9) no Colégio Nazaré, no centro de Araçuaí. Ao todo serão realizados 12 encontros regionais em todo o Estado com uma etapa final nos dias 24, 25 e 26 de outubro na Assembleia Legislativa.

O objetivo dos encontros, explica André, é o de discutir estratégias para que Minas Gerais possa ter um desenvolvimento mais equilibrado que reduza a diferença econômica entre as regiões, as pessoas e, principalmente, atendendo a presidente Dilma Rousseff que lançou o plano Brasil Sem Miséria.

André afirma que em Minas mais de 900 mil pessoas estão em situação de pobreza extrema com salário abaixo de 70 reais por mês. Mas as contradições são muitas. Enquanto no Triângulo Mineiro o PIB per capita chega a 21 mil reais, no Vale do Jequitinhonha não passa de cinco mil reais.

A região representa, segundo André, 5% da população do Estado, mas 1,9% do PIB mineiro. Boa parte da população não teve estudo, é semi ou analfabeta, jovens que deixaram o ensino médio, agricultores que não têm apoio técnico ou, às vezes, no caso do semi-árido mineiro não têm acesso à água seja para o consumo humano, criação ou produção. “São quase um milhão de mineiros em situação indigna e praticamente metade está na zona rural”, afirmou.

André anunciou no encontro que o Governo assumiu o compromisso de garantir o acesso a água a 29 localidades do Vale do Jequitinhonha.

Para o deputado, o encontro no Vale do Jequitinhonha assume importância em função de seu povo, que é trabalhador, sério, com uma vocação cultural e agrofamiliar muito grande. Aliado a iniciativas importantes já em curso do Instituto Tecnológico, da Universidade Federal do Jequitinhonha e do Mucuri, das obras de asfaltamento entre municípios. Mas que por outro lado convive com indicadores preocupantes como a mortalidade infantil, a falta de acesso a água em diversas comunidades, além do nível de repetência escolar muito grande.

É fundamental que o Governo do Estado em parcerias com outros níveis de governo possa ampliar as políticas de desenvolvimento na região. Nós queremos que o Jequitinhonha seja tratado como uma região em potencial para o crescimento com distribuição de renda através de políticas púbicas para todos”, finalizou ao destacar este seminário como um dos mais importantes realizados este ano pela Assembleia Legislativa de Minas.

Apesar das dificuldades, os representantes do Vale do Jequitinhonha sinalizaram otimismo nos debates com a possibilidade da implementação de ações que promovam o desenvolvimento na região. Ao final André recebeu as propostas da população e, entre as principais, se destacaram



Educação é um dos maiores gargalos do desenvolvimento
















Um dos maiores gargalos para o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha hoje é a educação e, especificamente, a qualificação, afirmou nesta sexta-feira (9) Maria do Carmo Ferreira da Silva, representante da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, em palestra em que fez um diagnóstico da pobreza no país na abertura do Seminário Legislativo Pobreza e Desigualdade.

Ela, no entanto, alertou para a necessidade de que os equipamentos existentes na região como o Sesi/Senai, Instituto Federal Educação Tecnológica (IFET) e a Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha sejam otimizados. “Este não é e nunca foi e será o Vale da Miséria, porque existem cidadãos que investem na região. Não podemos criar instrumentos se não são otimizados”. Para Maria do Carmo, a educação é condição necessária para que a região deixe o atual estágio, inclusive, de letargia resultado das sucessivas políticas não participativas.

Ela reforça também que a população do Vale do Jequitinhonha não pode ser levada pela mídia ao considerar a miséria e pobreza como condições ligadas à situação da econômica. Caso contrário, segundo ela, a população continuará sendo “degrau para pessoas que não têm compromisso com o Brasil”.

A abordagem monetária da pobreza é criticada pelo fato de caracterizar o fenômeno a partir de uma única dimensão: a ausência de renda. Mas também a falta de acesso a serviços básicos é visto como uma forma de identificar essa situação, conclui.

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